
Quase 60% de tudo o que empresas da cidade compraram de outros países no mês foram peixes frescos ou refrigerados
Um dado chama a atenção nas compras feitas por empresas de São José do Rio Preto no exterior. Em julho, a cidade importou US$ 12,67 milhões em produtos. Desse total, US$ 7,42 milhões foram de peixes frescos ou refrigerados vindos do Chile.
Isso significa que os pescados responderam por aproximadamente 59% de tudo o que Rio Preto importou durante o mês. Em uma comparação simples, de cada US$ 10 gastos com produtos vindos de outros países, quase US$ 6 foram destinados à compra de peixes.
O volume colocou o Chile, com grande diferença, como o país que mais vendeu produtos para empresas de Rio Preto em julho.
A China ficou em segundo lugar, com quase US$ 2,9 milhões em mercadorias. Estados Unidos, Alemanha e Vietnã aparecem na sequência entre os principais países de origem das importações.
Rio Preto comprou mais do que vendeu
As importações permaneceram praticamente estáveis em relação ao ano passado. Em julho de 2025, foram US$ 12,40 milhões. Agora, chegaram a US$ 12,67 milhões, aumento de 2,2%.
A principal mudança aconteceu do outro lado dessa conta.
As empresas de Rio Preto venderam US$ 3,75 milhões em produtos para outros países em julho. No mesmo mês de 2025, as exportações haviam alcançado US$ 7,10 milhões.
A queda foi de 47,2%.
Com menos produtos vendidos ao exterior e as compras internacionais praticamente no mesmo patamar, Rio Preto terminou julho com déficit de US$ 8,92 milhões na balança comercial.
Em outras palavras, empresas da cidade compraram US$ 8,92 milhões a mais de outros países do que venderam para eles.
Em julho de 2025, essa diferença havia sido de US$ 5,30 milhões. Em um ano, portanto, o déficit mensal aumentou 68,1%.
Por que as exportações caíram?
Parte da diferença pode ser explicada por grandes negócios realizados em julho do ano passado que não se repetiram neste ano.
Um exemplo é Mianmar. Em julho de 2025, o país comprou US$ 1,54 milhão em produtos de Rio Preto. Em julho deste ano, não aparece entre os destinos das exportações da cidade.
As vendas para outros mercados importantes também diminuíram.
Os Estados Unidos compraram US$ 1,09 milhão em produtos rio-pretenses em julho, contra US$ 1,85 milhão no mesmo período de 2025.
No caso do Chile, as vendas passaram de US$ 1,13 milhão para US$ 443,6 mil.
Mesmo com a redução, os Estados Unidos continuaram como o principal comprador dos produtos exportados por empresas de Rio Preto. Depois aparecem Chile, com US$ 443,6 mil, Bolívia, com US$ 393,3 mil, Países Baixos, com US$ 267,2 mil, Paraguai, com US$ 241,7 mil, e Argentina, com US$ 240,6 mil.
Na Europa, o movimento foi diferente. As vendas para países europeus somaram aproximadamente US$ 816 mil, ante US$ 630 mil em julho de 2025, crescimento de 29,5%.
O que Rio Preto vende para outros países?
A lista de produtos exportados também mudou bastante de um ano para outro.
Em julho de 2025, por exemplo, Rio Preto exportou US$ 1,79 milhão em miudezas comestíveis de animais. Neste ano, nenhuma operação dessa categoria foi registrada.
Também houve redução nas exportações de preparações capilares, que passaram de US$ 623,6 mil para US$ 15,4 mil.
As vendas de reboques e semirreboques caíram de US$ 823,3 mil para US$ 370,9 mil.
Em julho deste ano, os principais grupos vendidos para outros países foram produtos de origem animal, com US$ 813,5 mil, preparações alimentícias, com US$ 529,4 mil, carrocerias para veículos, com US$ 500,9 mil, artigos e aparelhos ortopédicos, com US$ 396,8 mil, além de reboques e semirreboques, com US$ 370,9 mil.
Déficit não significa necessariamente economia em queda
Apesar do aumento de 68,1% no déficit comercial de julho, o resultado de um único mês não permite concluir que a economia de Rio Preto esteja pior.
Em cidades com um volume menor de negócios internacionais, uma única operação de grande valor pode mudar bastante o resultado mensal.
Também é preciso considerar que produtos importados podem ser utilizados posteriormente por empresas no comércio ou na produção.
Por isso, os números ajudam a mostrar como Rio Preto se relaciona comercialmente com outros países, mas precisam ser acompanhados ao longo dos próximos meses para identificar se a queda das exportações representa uma tendência ou apenas uma variação pontual.