
Poucas horas vão separar Numb de Interestelar.
O encontro improvável acontecerá no palco do Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto, em São José do Rio Preto. O Candlelight programou para 10 de outubro uma noite com dois concertos dedicados a repertórios que, à primeira vista, dificilmente ocupariam o mesmo programa.
Às 18h, as cordas assumem as músicas do Linkin Park. Duas horas depois, às 20h, o universo cinematográfico de Hans Zimmer toma o teatro.
As apresentações são independentes, com ingressos vendidos separadamente, mas compartilham a proposta que tornou o Candlelight conhecido internacionalmente: retirar músicas de seus contextos originais e reconstruí-las em formação acústica, diante de um palco iluminado por velas.
DO NU METAL À MÚSICA DE CÂMARA
É difícil separar o Linkin Park do som que marcou a passagem dos anos 1990 para os 2000.
Formada na Califórnia, a banda encontrou uma linguagem própria ao aproximar guitarras pesadas, hip-hop, programação eletrônica e duas vozes muito distintas, Chester Bennington e Mike Shinoda.
Hybrid Theory, lançado em 2000, tornou-se o ponto de partida de uma sequência que colocou o grupo entre os principais nomes do rock de sua geração. Meteora, de 2003, ampliou esse alcance com faixas como Numb, Somewhere I Belong e Breaking the Habit.
No Candlelight, desaparecem guitarras distorcidas, bateria e boa parte da arquitetura eletrônica que caracteriza essas gravações. As melodias passam para os instrumentos de cordas.
O programa anunciado percorre diferentes fases da banda e inclui sucessos como Numb, In the End, Crawling, One Step Closer, Somewhere I Belong, What I’ve Done e Bleed It Out.
O contraste faz parte do interesse do concerto. Canções construídas originalmente sobre peso e distorção precisam sustentar sua identidade apenas pela melodia, harmonia e ritmo.
ÀS 20H, O CINEMA ENTRA NO TEATRO
Se o primeiro concerto retira o Linkin Park das grandes arenas, o segundo faz algo semelhante com a escala cinematográfica de Hans Zimmer.
O compositor alemão construiu uma das carreiras mais reconhecidas da música para cinema contemporânea ao combinar orquestra, sintetizadores, percussão e experimentação sonora.
Em Rio Preto, essa arquitetura será reduzida a uma formação de cordas.
O repertório anunciado inclui Time, de A Origem, e Cornfield Chase, de Interestelar, além de composições ligadas a Gladiador, Duna, O Cavaleiro das Trevas, Mulher-Maravilha, Dunkirk, Madagascar e Sherlock Holmes.
É uma seleção que atravessa décadas e gêneros diferentes do cinema.
Zimmer escreveu música para ficção científica, animação, dramas históricos, filmes de guerra e produções de super-heróis. Fora das imagens, suas composições revelam justamente o quanto algumas dessas melodias passaram a existir independentemente dos filmes para os quais foram criadas.
QUANDO SOBRA APENAS A MÚSICA
A aproximação entre Linkin Park e Hans Zimmer encontra sentido justamente no formato escolhido.
Os dois repertórios nasceram cercados por camadas.
No Linkin Park, guitarras, bateria, samples, rap e música eletrônica. Em Zimmer, grandes conjuntos instrumentais, sintetizadores, percussão e a própria imagem cinematográfica.
No palco do Candlelight, boa parte disso desaparece.
Ficam as melodias, os instrumentos de cordas e uma sala iluminada por centenas de pontos de luz.
É nesse deslocamento que a programação de Rio Preto encontra sua curiosidade. Em poucas horas, o mesmo palco terá de transformar o peso de In the End e a imensidão de Interestelar em música de câmara.
SERVIÇO
Candlelight: Tributo ao Linkin Park
📍 Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto
Av. Brigadeiro Faria Lima, 5381, Vila São José, São José do Rio Preto
📅 10 de outubro de 2026, sábado
🕒 18h
🎟️ Ingressos vendidos pela Fever
Candlelight: O Melhor de Hans Zimmer
📍 Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto
Av. Brigadeiro Faria Lima, 5381, Vila São José, São José do Rio Preto
📅 10 de outubro de 2026, sábado
🕒 20h
🎟️ Ingressos a partir de R$ 21,50 na consulta realizada pelo Descubra. Valores variam conforme setor e disponibilidade
🌐 Vendas pela Fever