
São José do Rio Preto está entre os quatro municípios brasileiros que alcançaram a pontuação máxima no Ranking do Saneamento 2026. A cidade ocupa a segunda posição nacional, atrás de Franca e à frente de Campinas e Santos, em um levantamento que avalia o abastecimento de água, a coleta e o tratamento de esgoto e a eficiência dos serviços.
O resultado, divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados, representa um avanço de duas posições em relação à edição anterior. Rio Preto passou do quarto para o segundo lugar entre os 100 municípios mais populosos do país.
Mas o que explica essa classificação?
A resposta está na combinação de três fatores: elevada cobertura dos serviços, tratamento de esgoto e controle das perdas de água na distribuição.
A importância de perder menos água
Um dos indicadores de Rio Preto é o índice de perdas na distribuição, que chegou a 14,52%, segundo os dados de 2024 utilizados no levantamento.
Na prática, esse percentual representa a diferença entre o volume de água disponibilizado ao sistema e aquele efetivamente consumido, considerados os ajustes previstos na metodologia.
As perdas podem ocorrer por vazamentos nas tubulações, problemas nas ligações, falhas de medição e consumo não contabilizado. Por isso, o indicador não corresponde exclusivamente à água desperdiçada em vazamentos.
Quanto menor essa diferença, maior tende a ser a eficiência operacional da rede, que precisa captar, tratar e distribuir água continuamente para abastecer a população.
No levantamento, Rio Preto apresentou um índice inferior à média de 24,28% registrada pelo grupo dos 20 municípios mais bem posicionados.
Cobertura de água e esgoto próxima da universalização
Outro componente da classificação é o alcance dos serviços de abastecimento de água e coleta de esgoto.
Na tabela geral do Ranking do Saneamento 2026, Rio Preto aparece com índices de atendimento de 99,18% para água e 99,18% para esgoto.
Isso significa que, segundo os dados informados ao sistema nacional, os serviços já alcançavam praticamente toda a população considerada nesses indicadores.
O resultado também coloca o município dentro das metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento, que prevê, até 2033, atendimento de 99% da população com água potável e de 90% com coleta e tratamento de esgoto.
A classificação de um serviço como universalizado, portanto, não significa necessariamente que ele tenha chegado a 100% dos moradores.
Coletar esgoto não é o mesmo que tratar
O levantamento também considera o destino dado ao esgoto produzido pela cidade.
Em Rio Preto, o indicador de tratamento total de esgoto chegou a 90,44%. A medição relaciona o volume de esgoto tratado à quantidade de água consumida, conforme os critérios adotados pelo estudo.
Essa distinção é importante porque a existência de uma rede coletora não garante, isoladamente, o tratamento adequado dos resíduos.
Depois de recolhido, o esgoto precisa passar por processos de tratamento antes de seu lançamento no ambiente, reduzindo a carga de poluentes e os impactos sobre os corpos d’água.
No conjunto dos 100 municípios analisados, a média do indicador de tratamento foi de 64,42%, abaixo do resultado registrado em Rio Preto.
Por que Rio Preto ficou em segundo lugar?
A edição de 2026 teve uma particularidade: Franca, Rio Preto, Campinas e Santos alcançaram nota máxima na avaliação geral.
Para definir a ordem entre essas quatro cidades, os responsáveis pelo estudo utilizaram um critério adicional, baseado na soma dos indicadores de atendimento total de água, atendimento total de esgoto e tratamento de esgoto em relação à água consumida.
Nesse cálculo, Franca chegou a 294,35 pontos, enquanto Rio Preto somou 287,60. Campinas registrou 282,18 e Santos, 279,70 pontos.
Portanto, a segunda colocação de Rio Preto não significa que a cidade lidera todos os indicadores individualmente. O resultado expressa o desempenho conjunto nas dimensões analisadas e a aplicação do critério de desempate.
O papel do SeMAE e os investimentos
Os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário de Rio Preto são operados pelo Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto, o SeMAE.
Segundo o ranking, o município registrou R$ 304,85 milhões em investimentos totais em saneamento entre 2020 e 2024, equivalentes a uma média anual de R$ 121,55 por habitante no período.
Os números ajudam a dimensionar os recursos destinados à infraestrutura, embora não permitam atribuir isoladamente o desempenho da cidade a uma obra ou investimento específico.
Manutenção de redes, controle de vazamentos, monitoramento do consumo e capacidade de tratamento fazem parte das atividades necessárias para preservar a eficiência de sistemas de abastecimento e esgotamento sanitário.
O que ainda precisa ser observado
Apesar da classificação, os indicadores não significam que todos os desafios do saneamento tenham sido resolvidos.
Ainda existem diferenças entre cobertura próxima da universalização e atendimento integral, assim como entre o esgoto coletado e o efetivamente tratado.
Também é necessário considerar que o Ranking 2026 utiliza dados de 2024, obtidos a partir do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico, o SINISA.
O estudo retrata, portanto, a situação informada naquele período, e não uma medição em tempo real das condições das redes ou da qualidade do serviço em cada bairro.
A relevância do resultado está na combinação de elevada cobertura, tratamento de esgoto e controle das perdas de água. Esses são os indicadores que ajudam a explicar a posição de Rio Preto no levantamento nacional.
Sobre o levantamento
Estudo: Ranking do Saneamento 2026
Realização: Instituto Trata Brasil e GO Associados
Universo analisado: 100 municípios mais populosos do Brasil
Ano-base dos indicadores: 2024
Posição de São José do Rio Preto: 2ª colocação
Prestador local: Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto (SeMAE)