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Rio Preto vai combater Aedes aegypti com o próprio Aedes aegypti; Entenda a estratégia

Rio Preto vai combater Aedes aegypti com o próprio Aedes aegypti; Entenda a estratégia

Soltar mosquitos para combater a dengue pode parecer contraditório, mas essa é a estratégia que São José do Rio Preto começa a incorporar às ações de saúde pública. A cidade foi selecionada para receber o método Wolbachia, que utiliza exemplares do Aedes aegypti com uma bactéria capaz de dificultar a transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya.

A Secretaria Municipal de Saúde divulgou as dez áreas contempladas pela iniciativa, que deve alcançar mais de 157 mil pessoas. Os chamados wolbitos serão liberados de maneira controlada para se reproduzirem com os mosquitos já presentes no ambiente.

A intenção é que, ao longo das gerações, a Wolbachia se estabeleça na população local de Aedes aegypti, reduzindo a capacidade de circulação dos vírus.

Como funciona o método Wolbachia?

A Wolbachia é uma bactéria encontrada naturalmente em diversas espécies de insetos. Quando introduzida no Aedes aegypti, interfere na multiplicação de vírus dentro do organismo do mosquito, diminuindo sua capacidade de transmiti-los aos seres humanos.

Os mosquitos que carregam a bactéria são conhecidos como wolbitos. Quando se reproduzem, as fêmeas transmitem a Wolbachia aos descendentes, permitindo que a bactéria se espalhe gradualmente na população de insetos.

Os mosquitos utilizados não são geneticamente modificados. A Wolbachia também não infecta seres humanos.

A estratégia é considerada autossustentável porque, uma vez estabelecida a bactéria na população de mosquitos, sua presença pode ser mantida naturalmente ao longo das gerações.

Quais áreas de Rio Preto serão contempladas?

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a implantação está prevista para dez áreas do município:

  • Caic
  • Central
  • Cidade Jardim
  • Estoril
  • Maria Lúcia
  • Renascer
  • Santo Antônio
  • São Francisco
  • Vila Elvira
  • Vila Mayor

A estimativa é de que mais de 157 mil moradores sejam alcançados.

O projeto foi anunciado oficialmente em junho de 2026, com participação da Secretaria Municipal de Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e de representantes envolvidos na implantação da tecnologia.

A previsão original estabelecia uma fase de preparação e orientação da comunidade, seguida de liberações semanais dos mosquitos durante 26 semanas.

Em nova comunicação, a Secretaria de Saúde informou que os wolbitos estão chegando às áreas contempladas. O comunicado não especifica a data exata da primeira soltura.

Método já apresentou resultados em outras cidades

A Wolbachia é utilizada em iniciativas de controle de arboviroses em diferentes países. No Brasil, a tecnologia integra estratégias desenvolvidas com participação da Fiocruz e do Ministério da Saúde.

Em Niterói, no Rio de Janeiro, dados apresentados pelo Ministério da Saúde apontaram redução de aproximadamente 70% nos casos de dengue nas áreas acompanhadas após a implantação do método.

Esses resultados ajudam a explicar a expansão da estratégia para outros municípios, embora a eficácia em Rio Preto dependa do estabelecimento da bactéria entre os mosquitos locais e do acompanhamento epidemiológico ao longo do tempo.

A população deve continuar combatendo os criadouros?

Sim. A implantação do método não elimina a necessidade das medidas tradicionais de prevenção.

Eliminar recipientes com água parada, manter caixas-d’água tampadas e evitar o acúmulo de água em calhas, vasos e outros objetos continuam sendo atitudes recomendadas pelo Ministério da Saúde.

O método Wolbachia atua na capacidade de transmissão dos vírus pelo mosquito. Ele não elimina a espécie Aedes aegypti do ambiente.

A expectativa é que a combinação das estratégias amplie a proteção da população contra as doenças transmitidas pelo inseto.

Serviço

Método Wolbachia em São José do Rio Preto

Áreas contempladas: Caic, Central, Cidade Jardim, Estoril, Maria Lúcia, Renascer, Santo Antônio, São Francisco, Vila Elvira e Vila Mayor.

Público estimado: mais de 157 mil moradores.

Implantação: prevista para outubro de 2026, com liberações semanais ao longo de 26 semanas, conforme o cronograma anunciado inicialmente.

Data exata de início das solturas: não informada na nova publicação.

Responsáveis: Secretaria Municipal de Saúde, em iniciativa com participação da Fiocruz, Ministério da Saúde e Wolbito do Brasil.

Informações: Secretaria Municipal de Saúde de São José do Rio Preto, @secsauderiopreto.