Há uma época do ano em que a mesa do Babaganuch fica especialmente movimentada. O restaurante realiza seu Festival Árabe, experiência anual criada para reunir diferentes preparações da casa em um único menu.
A edição de 2026 segue até 14 de outubro e acontece somente às segundas, terças e quartas-feiras. O valor é de R$ 192,90 para duas pessoas.
Mais do que concentrar vários itens do cardápio, o formato permite percorrer diferentes referências da cozinha árabe. A comida chega por etapas, começando por pães, pastas e entradas, avançando para pratos quentes e terminando com uma sobremesa menos conhecida do público brasileiro.
É também uma maneira de descobrir receitas que poderiam passar despercebidas diante de um cardápio amplo.
A primeira etapa já ocupa boa parte da mesa

A experiência começa com seis mini pães e manteiga temperada. Eles acompanham uma sequência de pastas e preparações frias.
O homus é uma das receitas mais reconhecidas da culinária do Oriente Médio. Tem como base o grão-de-bico triturado e tahine, pasta produzida a partir do gergelim.
O babaganuch, que dá nome ao restaurante, também é uma pasta tradicional, mas preparada principalmente com berinjela assada. O processo confere à receita um sabor característico e levemente defumado.
A coalhada acrescenta uma preparação láctea, cremosa e de sabor mais ácido, bastante presente nas mesas árabes.
Outra pasta servida no festival é a muhammara. De origem levantina, ela tradicionalmente combina pimentão vermelho e nozes, resultando em uma preparação de sabor mais intenso e levemente adocicado.
O kibe cru aparece como outro clássico. A preparação combina carne bovina crua finamente trabalhada com trigo para kibe e temperos.
Completam essa primeira etapa o escabeche, preparação marinada de perfil ácido, e a salada de trigo, que acrescenta frescor ao conjunto.
É uma abertura extensa. Em vez de eleger uma única entrada, duas pessoas conseguem comparar diferentes sabores, consistências e temperos na mesma mesa.
Kibe, falafel, arais e três tipos de charuto

A segunda etapa avança para as preparações quentes.
Cada pessoa recebe um mini kibe. Diferentemente do kibe cru servido anteriormente, aqui aparece a versão preparada para consumo quente, com trigo e recheio à base de carne.
O falafel oferece outro caminho. O bolinho de origem médio-oriental é preparado com leguminosas e temperos, sendo o grão-de-bico uma de suas bases mais conhecidas.
O arais é servido no festival com kafta e queijo. A preparação utiliza pão recheado com carne temperada, levado ao calor até ficar tostado por fora.
Também chegam à mesa três versões de charuto. Há unidades feitas com folha de uva, repolho e uma opção vegana. Os charutos são uma preparação tradicional baseada em folhas enroladas ao redor de um recheio, que pode variar conforme a receita.
Arroz de figo e fatteh ampliam a experiência

Entre as preparações que mais se afastam do repertório árabe conhecido por boa parte do público estão os acompanhamentos.
O festival serve 150 gramas de arroz de figo, preparado com açafrão, figos turcos e pistache. A combinação trabalha o contraste entre o arroz temperado, o dulçor da fruta e a textura do pistache.
Outra preparação é o fatteh de grão-de-bico com coalhada, servido em uma porção de 300 gramas.
Fatteh é o nome dado a uma família de pratos muito presente no Levante. As versões variam, mas costumam reunir pão, leguminosas e componentes cremosos em camadas. No menu do Babaganuch, o grão-de-bico e a coalhada aparecem como elementos centrais.
Somadas às entradas, aos charutos, ao arais, ao falafel e aos kibes, as duas preparações ajudam a explicar por que a experiência é bastante farta para duas pessoas.
Uma sobremesa que surpreende

Depois de tantas porções, seria fácil tratar a sobremesa apenas como complemento. A asida, porém, foi uma das surpresas da experiência do Descubra Rio Preto.
São duas unidades de um creme de semolina servido com ganache de frutas vermelhas.
Visualmente, é uma sobremesa discreta. A primeira impressão foi de que seria apenas mais um creme. Na colherada, a percepção mudou. A textura e a combinação com as frutas vermelhas entregam algo bastante diferente das sobremesas mais convencionais.
Mesmo depois de uma sequência extensa e muito bem servida, o potinho voltou vazio para a cozinha.
Uma casa ligada à tradição árabe de Rio Preto

O festival também ganha contexto pela história do próprio restaurante.
O Babaganuch é comandado pela família Suleiman. Maria Inês Pina Suleiman permanece ligada à cozinha e à gestão da casa, enquanto a nova geração da família também passou a atuar no setor. Em 2026, os filhos deram continuidade a essa história com a abertura do Kebaba, novo negócio da família dedicado principalmente a shawarmas e lanches árabes.
O restaurante funciona na Avenida Arthur Nonato, 3347, na Vila Sinibaldi. O salão é amplo e há uma brinquedoteca simples, mas funcional, especialmente para famílias que querem permanecer próximas das crianças durante o jantar.
Para quem ainda conhece pouco da culinária árabe, o festival cumpre uma função interessante. Em vez de restringir a experiência aos pratos mais conhecidos, coloca lado a lado receitas populares, como homus e kibe, e preparações menos familiares, como muhammara, fatteh e asida.
E faz isso em uma mesa realmente farta.
SERVIÇO
Festival Árabe do Babaganuch
📍 Babaganuch
Av. Arthur Nonato, 3347, Vila Sinibaldi, São José do Rio Preto
🕒 Até 14 de outubro de 2026
Segundas, terças e quartas-feiras
Funcionamento da casa: das 18h às 23h
💰 R$ 192,90 para duas pessoas
📞 (17) 99255-7000
📱 @babaganuchriopreto
